Procurador do MPT-PR ministra palestra sobre participação de empresas na Ditadura Militar
(Curitiba, 21/08/2025) Em evento realizado pelo Instituto LUME – Lugar de Memória Juiz Aldo Fernandes, em alusão ao Dia Nacional do Patrimônio Histórico, realizado nesta quarta-feira (20), o Procurador do Trabalho Rafael Garcia Rodrigues ministrou a palestra “Memórias, Justiça de Transição e Patrimônios”, abordando o envolvimento de grandes empresas na Ditatura Militar.
De acordo com o procurador, uma pesquisa identificou 13 empresas que teriam colaborado com o regime militar, impedindo atividades sindicais, promovendo perseguições a trabalhadores, financiando ações de repressão e até disponibilizando espaços dentro de suas instalações para a prática de interrogatório e até tortura.
Com base nessas informações, a partir da década de 2000, foram abertos inquéritos civis pelos Ministérios Públicos para apurar os fatos ocorridos e responsabilizar as empresas envolvidas. “Quando iniciamos as investigações, já imaginávamos que iríamos encontrar as violações citadas, e realmente encontramos tudo isso e muito mais, inclusive casos de escravidão, demonstrando que essas empresas estavam articuladas com o regime militar para promover um projeto de país violento, intolerante, repressor e profundamente desigual”, comentou.
O evento foi realizado no Centro Judiciário de Curitiba, local que abrigava o antigo Presídio do Ahú, desativado em 2006, e que serviu como prisão política durante a Ditadura Militar. É lá que está localizada a sala do LUME, criado como desdobramento das atividades da Comissão Estadual da Verdade - Teresa Urban, com a missão de ser um espaço dedicado à memória dos anos de repressão e resistência.
Além do procurador do MPT-PR, o evento contou com a presença de outras autoridades, como o procurador Olympio Sotto Maior, coordenador do Centro de Apoio Operacional de Proteção aos Direitos Humanos do Ministério Público do Paraná (MP-PR), e o Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) Maurício Requião.
